A cidade de Roma não é uma cidade associada à arte contemporânea, mas agora, junto com Michelangelo, Raphael e Caravaggio, quem for para lá terá um novidade que irá mudar essa visão.

No dia 22 de maio, foi inaugurada a primeira obra de arte contemporânea permanente na cidade. É uma impressionante escultura de bronze e mármore de um dos mais importantes escultores italianos em atividade, o mestre Giuseppe Penone. Patrocinado pela marca de luxo Fendi, com a curadoria de Massimiliano Gioni, diretor artístico do New Museum, em Nova York,  o projeto envolveu uma estreita colaboração com o Ministério da Cultura da Itália e a Prefeitura de Roma, que pela primeira vez aprovou a instalação de uma obra permanente.

Instalada em frente à emblemática loja da Fendi no Largo Goldoni, centro histórico da cidade, a obra Foglie di Pietra (Folhas de Pedra) assume a forma de duas árvores de bronze em grande escala – por sinal, as únicas árvores na rua – cujos galhos, sem folhas, são de mármore, pesando mais de 9 toneladas.

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“Eu queria criar algo com a capacidade de existir em diálogo com os locais históricos nas proximidades”, diz Penone, que desde o final da década de 1960 tem feito um trabalho relacionado ao crescimento das árvores como forma de explorar a experiência do tempo.

Embora a natureza não seja um tema que facilmente venha à mente dentro da abundância artística da paisagem urbana romana, o trabalho de Penone é um ajuste surpreendentemente apropriado.

Em Foglie di Pietra, diz o artista, “arqueologia e ruínas, história e biologia são enxertadas umas sobre as outras, criando um vínculo permanente entre a natureza e a cultura, e celebrando uma síntese profunda entre o fluxo do tempo natural e humano, onde a sensação de saudade e a nostalgia romântica de civilizações perdidas são trazidas à superfície”.

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O trabalho sugere um cenário de sonhos em que fragmentos de edifícios foram levados ao ar por um tornado e ficaram alojados nas árvores – um evento que pode ter ocorrido há milhares de anos, ou mais recentemente. Caminhar ao redor dos locais renascentistas ou antigos de Roma também traz uma sensação de colapso no tempo.

“Eu acho que um dos ensinamentos mais valiosos de Penone é de perceber o tempo, não em sua imediação e urgência, mas sim de acordo com um ritmo quase geológico”, diz o curador Massimiliano Gioni. “Se você olha suas esculturas de árvores, elas são todas tentativas de retraçar a lenta passagem do tempo na madeira e nas formas da árvore”, complementa.

A obra Foglie di Pietra é mais um complemento para pensar sobre a vasta paisagem artística de Roma, humanizando uma região da cidade conhecida por sua mistura de consumismo, luxo e turismo, e relembrando aos espectadores os patrimônios culturais da Itália.

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“Todos os meus trabalhos consideram a relação entre o homem e o que o rodeia”, diz Penone.

Fonte: Trechos traduzidos da matéria “Rome Unveils First-Ever Permanent Contemporary Artwork to Its Cityscape, a Sculpture by Giuseppe Penone”.

Fotos: Stefano Guindani | Fendi.